Visão Crítica: Poesia Transbordada
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7 de fevereiro de 2009

Poesia Transbordada

Estou cheio de poesia.

Preciso arrancá-la e dar-lhe forma,

Esculpir, martelar até que o brilho chegue,

Mas que seja um brilho calmo, tranqüilo,

Que não aniquile.

Estou cheio de poesia

Quero dar essa poesia transbordada para você.

Faça o que quiser, rasgue, queime, amasse,

Mande pela janela, ou guarde,

Eu quero dá-la para você

Minha poesia.

Aceite. Não se sinta assim estranha,

É só uma poesia.

Composta por mãos duras,

Palavras mudas, e por um pulso louco.

Leia a poesia, arranque dela essa mensagem,

Que não sei dizer com meus olhos.

Esta poesia fria é simbólica.

Por entre seus versos tem um coração quente,

Um carinho doce e suave, nas entrelinhas,

Está meu desejo, mas não sei ser, explicito.

Preciso da poesia para gritar.

Eu não sei sorrir sem esta poesia louca.

Nesta estante e nesse livro

Cheio de páginas, eu queria gravar minha poesia,

Mas a umidade sem vergonha não me permite,

E minha mão coça e meu coração dispara querendo,

Gravar esta poesia.

Estou cheio de poesia.

Também estou cheio de dor.

Vou arrancar os versos sem anestesia

E transportá-lo para esta folha,

E vou endereçá-la a você,

Espero que aceite minha doce poesia transbordada,

Por estar a tanto tempo contida dentro de mim.


Renan Reis